Não quero mais a neutralidade. Quero assumir minha realidade e me expor e vencer o medo de errar que bloqueia o movimento e a criação. Quero pecar por excesso.

Esse blog é isso. Um exercício de Libertação.








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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Trecho de Via Láctea - Olavo Bilac



"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, 
Que, para ouvi-las, muita vez desperto 
E abro as janelas, pálido de espanto... 

E conversamos toda a noite, enquanto 
A Via Láctea, como um pálio aberto, 
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, 
Inda as procuro pelo céu deserto. 

Direis agora: "Tresloucado amigo! 
Que conversas com elas? Que sentido 
Tem o que dizem, quando estão contigo?" 

E eu vos direi: "Amai para entendê-las! 
Pois só quem ama pode ter ouvido 
Capaz de ouvir e entender estrelas"

Olavo Bilac

sábado, 1 de setembro de 2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Poeminha do Contra- Mário Quintana


Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!


Que delícia é reencontrar um poema amado! Diz tanto com tão pouco. Apaixonante.  


domingo, 5 de agosto de 2012

Leonid Afremov



    Passeando pelo meu Facebook no sábado à noite, descobri entre as fotos de animais maltratados e as mensagens de auto-estima, esse pintor maravilhoso que uma conhecida compartilhou. 
    Fiquei encantada com as pinceladas coloridas desse talentoso israelense de origem bielorrussa. Aliás, nada de pinceladas. "Espatuladas" seria o correto, já que ele usa uma espátula para pintar com tinta a óleo. 
Genial!!! Na minha opinião, conseguiu criar um estilo próprio dentro do impressionismo!  
Abaixo, dois sites, onde é até possível comprar suas obras: 



Vale a pena dar uma conferida J 



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Clowns modernos e muito bons


Dia 06 de Maio fui assistir a um show de Clowns no Circus Krone aqui em Munique, que contava com a presença do Oleg Popov. Devo admitir que não esperava muito do show, já que hj em dia é bem difícil ver Clown que preste, ainda mais num espetáculo tão comercial como esse. E adivinha só... para minha surpresa foi tudo maravilhoso! De verdade! Descobri vários Clowns modernos muuuuito legais que acabaram até roubando a cena do grande Oleg Popov. Este último, com seus números bem antigos, deu ao espetáculo uma atmosfera mais melancólica do que de fato engraçada. Foi interessante perceber a evolução dos Números para os dias de hoje. Noite inesquecível.
Abaixo alguns vídeos do youtube. Acho importante divulgar os nomes de Clowns contemporâneos bons, já que a busca por novas referências nesse campo não é nada fácil.

Avner Eisenberg. Foi o que eu mais gostei: 


Peter Shub, foi também uma das surpresas da noite: 



David Shiner. Ele faz números totalmente interativos com os espectadores e fica muito divertido ver o público se envolvendo e fazendo junto. 



E pra fechar vi René Bazinet que destruía na mímica! 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

"O amor nos tempos do cólera" - mais um trecho


Essa partezinha eu achei divertida e com um tom de Nelson Rodrigues. Como um passarinho me contou que as Geraldas estão pesquisando o tema das viúvas, aí vai mais uma parte especialmente pra vc Carolzinha:

Tinha vinte e oito anos e parira três vezes, mas sua nudez conservava intacta sua vertigem de solteira. Florentino Ariza jamais compreenderia como umas roupas de penitente tinham podido dissimular os ímpetos daquela potranca xucra que o desnudou sufocada pela própria febre, como não podia fazer com o esposo para que não a considerasse uma corrompida, e que tratou de saciar num só assalto a abstinência férrea do luto, com o estouvamento e a inocência de cinco anos de fidelidade conjugal. Antes dessa noite, e a partir da hora solene em que a mãe a pariu, jamais estivera sequer na mesma cama com um homem que não fosse o esposo morto.
Não se permitiu o mau gosto de um remorso. Pelo contrário. Mantida em vigília pelas bolas de fogo que passavam por cima dos telhados (obs Jaquelina: a cidade estava passando por uma guerra civil), continuou evocando até o amanhecer as excelências do marido, só lhe censurando a deslealdade de haver morrido sem ela, e redimida pela certeza de que ele jamais fora tão seu quanto agora, dentro de um caixão cravado com doze cravos de três polegadas, e a dois metros debaixo da terra.
         -Sou feliz – disse – porque só agora sei com certeza onde está quando não está em casa.  

domingo, 22 de abril de 2012

"O amor nos tempos do cólera" - um trecho

Achei muito bonito essa partezinha, que colo abaixo. Livro de Gabriel García Márquez.
Chorou pela primeira vez desde a tarde do desastre, sem testemunhas, que era seu único jeito de chorar. Chorou pela morte do marido, por sua solidão, sua raiva, e quando entrou no quarto vazio chorou por si mesma, porque muito poucas vezes tinha dormido sozinha nessa cama desde que deixara de ser virgem. Tudo que era do esposo lhe atiçara o pranto: os chinelos de borlas, os pijamas debaixo do travesseiro, o espaço sem ele nos espelho da penteadeira, o cheiro pessoal dele em sua própria pele. Abalou-a um pensamento vago: “As pessoas que a gente ama deviam morrer com todas as suas coisas.” Não quis ajuda de ninguém para se deitar, não quis comer nada antes de dormir. Na angústia de sua desolação, rogou a Deus que lhe mandasse a morte esta noite durante o sono, e com essa ilusão se deitou, descalça mas vestida, e dormiu no mesmo instante. Dormiu sem saber, mas sabendo que continuava viva no sono, que lhe sobrava metade da cama, que jazia de costas na margem esquerda, como sempre, mas que lhe fazia falta o contrapeso do outro corpo na outra margem. Pensando adormecida pensou que nunca mais poderia dormir assim, e começou a soluçar adormecida, e dormiu soluçando sem mudar de posição na sua margem, até muito depois de acabarem de cantar os galos, e a despertou o sol invejável da manhã sem ele.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Poema de Alberto Caeiro

Se eu pudesse trincar a terra toda

E sentir-lhe um paladar,

Seria mais feliz um momento...

Mas eu nem sempre quero ser feliz.

É preciso ser de vez em quando infeliz

Para se poder ser natural...


Nem tudo é dias de sol,

E a chuva, quando falta muito, pede-se

-Por isso toma a infelicidade com a felicidade

Naturalmente, como quem não estranha

Que haja montanhas e planícies

E que haja rochedos e erva...


O que é preciso é ser-se natural e calmo

Na felicidade ou na infelicidade,

Sentir como quem olha,

Pensar como quem anda,

E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,

E que o poente é belo e é bela a noite que fica ...

Assim é e assim seja...

segunda-feira, 12 de março de 2012

Um desenho muito legal

Descobrimos nesses últimos tempos um desenho animado inglês, que na verdade é um stop motion, chamado Schaun the Sheep!

É muuuuito bom!

Dos mesmos criadores de Wallace e Gromit, os episódios com as ovelhas de massinha duram em torno de 5 minutos. Os temas são muito simples e os personagens se envolvem em situações clownescas divertidíssimas.

Está longe de ser uma atração só para crianças.

Fiz algumas cópias pensando nos meus filhos que ainda nem existem... uahauhaha

Abaixo um episódio sobre o tema: Soluço!


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Street Art

Mais um link de um kra muito maluquete, tipo Banksy!


domingo, 25 de setembro de 2011

Musical Cabaret

Fui assistir com uma amiga! Foi muuuuito legal poder ver ao vivo o filme que eu já conhecia. A personagem principal tem uma voz de doer de linda. Abaixo ela e uma das músicas mais bonitas do espetáculo:


domingo, 11 de setembro de 2011

Função da arte

Penso que a arte é o nível mais alto a que pode chegar a expressão humana. E o seu principal objetivo é transformar a vida. A arte é sempre profundamente relacionada com a vida e a morte, a alma e o corpo. Algumas vezes é impossível ao pensamento lógico compreender isso. A arte tenta desvendar o mistério de viver e morrer.

Trechinho da entrevista com o dançarino de Butoh Kazuo Ohno (novamente li no site do Mallet: www.grupotempo.com.br)!

sábado, 3 de setembro de 2011

O Manoel de Barros é genial!!!

Soberania

Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.
Mas que esses vareios acabariam com os estudos.
E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.
E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.
Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas. E vi que o homem não tem soberania nem pra ser um bentevi.


Léon Bloy

Será necessário toda a eternidade para admirar a absoluta indizível beleza das coisas que não somos nós mesmos a fazer.


Roubei do blog do Mallet.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Bonito

Sobre todos aqueles que continuam tentando, Deus, derrama teu Sol mais luminoso.


Crônica Zero Grau de Libra de Caio Fernando Abreu

sábado, 13 de agosto de 2011

Emocionante! Pavarotti cantando Vesti la Giubba

Faz parte da ópera Pagliacci de Ruggero Leoncavallo. Trata da tragédia de um marido ciumento e chefe de uma trupe de commedia dell'arte. A peça da trupe se confunde com a realidade ficcional. O marido traído faz o papel de palhaço no espetáculo. Traição se dá nos 2 planos.




Atuar! Enquanto estou preso pelo delírio
não sei mais o que digo e o que faço!
Embora... seja preciso que... se esforce!
Bah, por acaso és um homem?

Tu és Palhaço

Vista a fantasia e pinte a cara
As pessoas pagam,e querem rir.

E se Arlequim te rouba a Colombina
Ria, Palhaço, e todos aplaudirão!
Transformas em pantomimas o riso e o pranto;
Em uma metamorfose o soluço e a dor...

Ria, Palhaço, Sobre o teu amor destroçado,
Ria da dor que te envenena o coração!

Adoro! Maria Callas cantando Habanera

domingo, 7 de agosto de 2011

Manoel de Barros

Frase que grudou em mim:

As coisas não querem ser vistas por pessoas razoáveis.

Elas desejam ser olhadas de azul.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Manoel de Barros

O Olho vê

A lembrança revê

E a imaginação transvê


É preciso transver o mundo

domingo, 19 de junho de 2011

Mais Dom Quixote

Primeiro uma observação: Cervantes sempre coloca títulos nos seus capítulos de forma a sabermos do que este tratará. Acontece que são tantos capítulos e situações que, às vezes, ele dá uma resumida no tema e fica engraçadíssimo. Por ex:

CAP IX

Onde se conta o que nele se verá

Hahaha Não é demais?

E abaixo segue mais um trecho engraçadíssimo de Sancho em um capítulo com título não menos interessante. Contexto: Sancho narra ao Duque, Duquesa e convidados um conto:

CAP XXI

Que trata de muitas e grandes coisas

Sancho: - (...) O conto que quero narrar é este: Convidou um fidalgo de minha aldeia, muito rico e principal porque descendia dos Álamos de Medina Del Campo, que se casou com Dona Mência de Quinõnes, que era filha de Dom Alonso de Maranhão, cavaleiro do hábito de Santiago, que se afogou no porto da Ferradura, e por causa de quem houve aquela pendência, há anos, em nosso lugar, na qual, se bem me lembro, andou envolvido meu senhor Dom Quixote e da qual saiu ferido Tomasito, o Travesso, filho de Barbastro, o Ferreiro. Não é verdade tudo isso senhor nosso amo? Diga-o, por sua vida, para que estes senhores não me tenham por falador mentiroso.

-Até agora - disse o eclesiástico- ter-vos-ia mais por falador que por mentiroso; mas, daqui por diante, não sei em que conta vos terei.

- Dá tantos testemunhos, Sancho, e tantos indícios, que não posso deixar de concordar em que deves dizer a verdade. Passa adiante e encurta o conto, porque estás com jeito de não acabar em dois dias.

- Não o há de encurtar- observou a duquesa- para me fazer prazer, antes, há de contá-lo da maneira porque o sabe, ainda que não termine em seis dias. Se tantos forem, seriam para mim os melhores de minha vida.

-Digo, pois, senhores meus - prosseguiu Sancho- que esse tal fidalgo, que conheço como a planta de minhas mãos, porque de minha casa à sua não vai um tiro de besta, convidou um lavrador pobre, mas honrado...

- Adiante, irmão- interrompeu nesse ponto o religioso-, que levais caminho de não parar com vosso conto até o outro mundo.

- A menos de meio caminho pararei, se Deus for servido- respondeu Sancho. - Assim, digo que chegando tal lavrador à casa do dito fidalgo convidante, que sua alma tenha bom pouso, pois já morreu, e por sinal dizem que teve morte de um anjo, embora eu não me achasse presente, pois havia ido, naquela ocasião, para a ceifa em Tembleque...

- Por vossa vida, filho, volvei depressa de Tembleque, e, sem enterrar o fidalgo, se não querei fazer mais exéquias, acabai vosso conto.

- Aconteceu, pois - replicou Sancho-, que, estando os dois para sentar-se à mesa, e parece que agora os vejo mais do que nunca...

Grande satisfação experimentavam os duques com o desgosto que o religioso mostrava ante a dilação e as pausas com que Sancho narrava seu conto. Dom Quixote consumia-se em cólera e raiva.

-Digo, pois - continuou Sancho-, que, estando os dois, como já disse, para sentar-se à mesa, o lavrador porfiava com o fidalgo para que se colocasse à cabeceira e o fidalgo porfiava também que para que o lavrador a tomasse, porque em sua casa se havia de fazer o que ele mandasse. O lavrador, porém, que se presumia de cortês e bem-criado, não o quis fazer, até que o fidalgo, amofinado, pondo-lhe ambas as mãos sobre os ombros, assentou-o à força, dizendo: "Sentai-vos, palerma; onde quer que eu me sente, será aí a cabeceira. Esse é o conto e em verdade creio que foi trazido aqui fora de propósito.